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O que te aborrece tanto a ponto de te deslocar do presente?

​Estamos negociando o tempo todo a nossa vitalidade, a nossa energia e a nossa conexão. Ouvir-se nos dias de hoje está se tornando um hábito cada vez mais distante. Terceirizamos decisões importantes da nossa vida justamente por não nos reservarmos para ouvir a nossa própria voz.

​Epicteto foi escravo por motivos de forças maiores dentro do contexto onde estava inserido, mas rejeitou escravizar a si próprio. Tomou as rédeas e dominou a si mesmo. Nada, nem ninguém poderia tirar isso dele. E foi justamente isso que o libertou. Antes de qualquer sentença externa, dentro de si ele já se sentia livre.

Nenhum homem é livre se não é senhor de si mesmo. -Epicteto

​E o que fazemos com a nossa liberdade nos dias de hoje? Se não nos enjaulamos a nós mesmos com distrações, barulhos, fugas e narrativas, acabamos nos perdendo em uma linha paralela, parados no agora e presos por correntes invisíveis. Prisioneiros de si mesmos.

​Projetar as soluções fora de nós, sejam elas quais forem, é andar em círculos, nadar contra a corrente. Como um bumerangue, a situação irá retornar, e talvez com um peso ainda maior. De nada adianta se não navegarmos em direção a nós mesmos. Encarar a própria sombra e integra-la. 

C. Jung fala sobre integrar a sombra; ela não é ruim, está apenas tentando nos ensinar algo. ​O medo, por exemplo, de estar sozinho, está lhe convidando a cultivar a própria presença. Entende? Não se trata de fuga, mas de integração.

E só conseguimos integrar quando miramos na direção certa: o self, o eu. Quando trazemos à luz o gigante que tanto queremos manter preso.A verdade é que o tempo é implacável. Ele não se importa nem um pouco com suas dores, conflitos e situação atual; ele premia os que o veem como aliado.

Construindo tijolo por tijolo, analisando a si próprio, esculpe-se como o ferreiro e a espada. A disciplina é seu braço direito, e ela não fala, ela grita por você. A espada inevitavelmente irá refletir a imagem do ferreiro. Isso é libertador. Fazer o que você não tem vontade de fazer é a morada da liberdade.

Fazer sempre o que eu quero me torna escravo dos meus próprios desejos. Fuga, para ser direto. Fuga da realidade, da dor, do desafio. Quando finalmente paramos para perceber, lá se foi mais um ano. Mais um ciclo que drenou nossas forças enquanto corríamos atrás da própria cauda.

Estar presente sempre foi o maior ativo que podemos ter, até porque o tempo não volta mais. O mundo pode ruir lá fora: concentre-se, respire. Não seja refém das suas próprias emoções.

​A vida é breve. Esteja presente. Desfrute da jornada.

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