Desde muito novo, sempre fui atraído por aquilo que não se vê, esse território silencioso que vive atrás dos olhos e pulsa dentro do peito. Mesmo sem entender, eu já caminhava em direção ao invisível.

O karatê foi a minha primeira porta.Disciplina. Foco. Superação.Aprendi que a mente cria limites, mas o corpo, quando guiado pela alma, os atravessa. No final de cada treino, fazíamos o mukso, uma meditação breve, porém profunda. Era o momento de retornar para dentro. Talvez o mais importante de todos. Ali, sem perceber, comecei a me escutar.

Mais tarde, a religião foi outro caminho. Passei boa parte da minha vida caminhando por esse universo. Aprendi muito: deixei camadas superficiais para trás e comecei a tocar meu lado divino. A música também se fez presente. Aprendi violão ainda jovem, e cada nota parecia abrir uma janela para um lugar que eu ainda não sabia nomear, mas já reconhecia.

Mesmo assim, durante anos me senti deslocado.Nunca sonhei com uma carreira fixa. Nunca me encaixei nos moldes que o mundo apresentava. E isso me confundia. Busquei caber em espaços que não eram meus. Me vi perdido em vários momentos.Mas sempre conversei comigo mesmo. Sempre voltei para dentro.E quando fazia isso, a névoa se dissipava.Eu levantava. E seguia.

Olhava para as minhas habilidades e percebia o paradoxo: eu gosto do português e também gosto da matemática. Podia passar horas codando ou estudando a psique humana. Duas margens que não se anulam mas se completam.

A área humana só se apresentou de verdade mais tarde.Veio através dos incômodos: a forma como as pessoas tratavam umas às outras, a forma como eu queria servi-las. Ao mesmo tempo, eu precisava lidar comigo, entender minhas sombras, encontrar meu âmago.Eu repetia uma frase: “O dia que eu encontrar aquilo que amo fazer, eu nunca mais vou recuar.” E então os livros chegaram.E abriram o mundo.

A cada leitura, minha consciência se expandia. E, junto dela, a vontade de falar sobre o que eu aprendia. Comecei a escrever. Escrever tudo: ideias, planos, percepções, dores, descobertas. A escrita virou terapia, refúgio e caminho. Me senti vivo de verdade. Até que percebi: É isso. É aqui. Sou eu.O universo me abraçou quando eu finalmente tive coragem de abraçá-lo.

Hoje eu sigo o meu entusiasmo, aquilo que faz meu coração vibrar. Encontrei minha verdade.No karatê existe um mandamento que, por muito tempo, eu não compreendi: “Fidelidade para com o verdadeiro caminho da razão. ”Hoje eu entendo.

Esse é o meu caminho da razão.É aqui onde mora o meu coração.E eu serei fiel a ele. Se, em algum momento, uma palavra minha tocar a sua vida, então toda a minha jornada já terá valido a pena.

Este espaço, não é apenas um blog.É um território de introspecção, espiritualidade, disciplina e cura.Um lugar para quem carrega perguntas profundas, para quem busca sentido, para quem deseja tocar a própria essência com delicadeza e coragem.

Se você chegou até aqui, seja bem-vindo(a). De verdade. Sinta-se à vontade para caminhar por essas terras internas comigo.

Talvez, nesse percurso, você também encontre algo do seu próprio caminho.

Autor

lukkas.tere@gmail.com