
Às vezes precisamos dar um passo atrás, sair de cena, tirar a energia e olhar de forma panorâmica, para podermos olhar e dar nome a todos os personagens da dramaturgia. Sim, dar nomes, retirar os resultados da nossa identidade. Esse ato simbólico, essa retirada de grande coragem, é uma convocação para quebrar o ciclo vicioso de pensamentos destrutivos. Sair da caixa, da nuvem densa de possibilidades infinitas empregadas pela própria mente.
Retirar-se é desconfortável por hora, pois perdemos a sensação de controle. O vazio toma conta, vamos falar dele mais pra frente. São tantos os questionamentos que permanecemos no mesmo lugar. Mesmos ambientes. Mesmos cenários. Mesmos roteiros. Condicionados a controlar tudo, preferimos o conforto. O cume da montanha pressupõe riscos, preparo, dedicação e, não menos importante, o primeiro passo.

Quando você dá o passo, aqui, nesse ponto, surgem as dúvidas e começa o jogo. Qual jogo? Você contra você. Uma guerra silenciosa entre a ilusão que você persegue na sua cabeça, o cenário que acredita ser o ideal, a fantasia. Contra a realidade apresentada diante dos seus olhos: os fatos, os pingos nos “is”, que estão ocultos da sua visão, mas gritam para você com todas as cores. Um tom gritante de laranja em meio a folha branca.
Você ignora a intuição, ignora os sinais, faz todos os cálculos do mundo para tentar se encaixar em uma situação que claramente não faz sentido na sua vida. Faz esforço para tentar encaixar o oceano dentro de uma gota d’água e se afoga dentro da própria ilusão.Desesperado, tenta construir uma casa de papel no meio do oceano.
Toda essa tentativa fomenta ainda mais a escassez. Você deixa de acreditar no fluxo e se prende ao controle absoluto. Planta a semente e exige resultados imediatos. Prefere carregar uma pedra enorme morro acima para provar ao ego o seu valor, com medo de soltar e encarar o vazio. Falha miseravelmente e duvida da própria identidade. E se você não sabe quem é, fique tranquilo: irão te dar um número.
O vazio… sempre queremos preenchê-lo, como se faltasse algo, como se não fosse uma parte do ser.
“Entre o estímulo e a resposta, existe um espaço. Nesse espaço está o nosso poder de escolher a nossa resposta. Em nossa resposta reside o nosso crescimento e a nossa liberdade.” — Viktor E. Frankl
Talvez ele seja o nosso âmago, onde tudo é, mas preferimos não olhar, porque nos deparamos com nossas sombras. Ele é um convite para você voltar-se para si mesmo, um espelho que te faz olhar para sua sombra e te convida a integrá-la, não separá-la, não expurgá-la como se não fizesse parte de você. Existe uma criança aí dentro pedindo atenção. Você está ignorando, e ao fazer isso, você se abandona. Por isso dói, por isso custa.
Olhe para a natureza. Imagine um rio, ouça o som, sinta o ar fresco… tudo parece estar em harmonia, certo? Tudo flui de maneira limpa, sem forçar, sem ansiedade, sem moldes, sem controle. A natureza apenas é. Porque é simples, é como respirar. Se sente dificuldade, é porque algo de errado está acontecendo.
- E por que eu não consigo ver?
Porque a verdade é ocultada pela sua própria narrativa, pela própria ilusão, pelo cenário que você criou na sua cabeça.
A guerra está aí, nos cenários fantasmagóricos criado pela mente, sempre esteve. Não olhar para si é terceirizar e terceirizar não é a saída. O atalho para o céu é a porta de entrada para o inferno. A chave está em olhar para si, integrar a dor e não fugir dela. Dominar a si mesmo é dominar o inimigo. Dominar seus pensamentos é dominar suas emoções. Emoções são para ser integradas. Está tudo bem chorar, está tudo bem sentir o luto, está tudo bem não estar bem. Sinta, respeite seu tempo e deixe fluir. Elas precisam vir e ir. Ninguém é feliz o tempo todo, nem triste o tempo todo. Não julgue, apenas sinta e deixe ir. Não projete uma sombra maior do que ela de fato é.
Seu cérebro não sabe interpretar o que é imaginação e o que é real. Usa os mesmos caminhos para ambos. E, de fato, são. A diferença entre um e outro é apenas o plano: um está no plano físico e o outro no espiritual. Ambos coexistem. São a mesma matéria-prima.
Nós temos um potencial enorme, eu diria até sobre-humano, de criar realidades. Isso acontece com base nos nossos pensamentos. Os comportamentos são moldados pelos pensamentos, que geram emoções, e é aqui que mora a chave das manifestações, dos resultados. Não há possibilidade de ter boas ideias, boas conexões, boas “oportunidades” se a mente está contaminada por pensamentos ruins que despertam emoções negativas. Nesse tipo de frequência, o corpo interior é inundado de sentimentos negativos: insegurança, dúvidas, medos. E, por consequência, você atrai mais do mesmo.
Para quebrar esse ciclo, é preciso dar um passo atrás. Quando você faz isso, tira a energia empregada nesse círculo vicioso e destrutivo e começa a observar de fora. Você não é o resultado, é o observador. E isso muda tudo. O número 6 pode ser um seis, mas também pode ser um 9, depende do ponto de vista. Por convenção, ele é um número, mas poderia ser uma letra. Uma palavra. Uma frase. Entenda: você dá o sentido.
- Que sentido tem dado aos desafios que aparecem na sua vida?
- Por que está segurando algo que quer ir embora do seu campo faz tempo?
- O que está te impedindo de acreditar em você, na sua intuição?
- Por que a prepotência de achar que tem uma visão mais ampla do que o universo?
SOLTA!!!
Eu disse que seria um ato de coragem, e de fato é. Olhar para si mesmo não é fácil. Encarar as sombras e integrá-las é um desafio. Temos dificuldades severas em lidar com o vazio. Ele te convida a olhar para dentro, sem filtro nenhum. É você e você, e isso pode assustar. Mas a verdade é que o vazio é um convite à liberdade. Ele te chama para finalmente ser inteiro, completo. Te convida a confiar no fluxo da vida, a soltar esse peso.
Dê o passo para fora desse ciclo vicioso e deixe a vida lhe surpreender.
Confia em você!
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