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Se tem um momento em que eu sinto paz e digo paz não como a ausência de guerra, do conflito ou do caos no conceito ocidental da palavra, mas a paz que, diante do barulho, sobressai , esse momento é quando me deito e ponho a cabeça no travesseiro.

Eu me sinto em paz quando me separo do mundo, quando volto para mim. Quando os ruídos dos pensamentos, dores e preocupações já não conseguem mais me alcançar. Quando não tento preencher qualquer vazio com distração. Quando aceito o convite da introspecção e não me evado.

Fomos ensinados a ter medo do vazio, como se ele fosse o algoz. Na verdade, ele é o nosso professor, a lâmpada para os nossos pés. Em que momento do seu dia você senti paz?

Bom, ali eu desligo. Nada mais me aflige, nada é mais importante do que o encontro comigo mesmo. No silêncio, eu e os meus pensamentos. Observo cada linha de comando e vou desacelerando até sobrar apenas o eco da minha própria consciência.

Fica de pé apenas uma pergunta diante de todas as outras que se foram. Na grande maioria das vezes, não consigo respondê-la:

O que é importante para você?

Parece simples, e talvez seja. Mas simplicidade não é sinônimo de facilidade. Diante desta pergunta, eu tento expurgar de mim toda vaidade, rótulos e apego ao ego.

Sendo bem sincero, ela não parece estar interessada nesse tipo de resposta pronta. Talvez o intuito seja me provocar. Provocar em mim uma reflexão. Como não consigo respondê-la, começo a desmembrá-la em outras tantas:

  • O que é mais importante do que o próprio fôlego de vida?

  • Arrancaria fora a árvore, o jardineiro, para salvar o fruto?

  • De que mais vale o ouro do que o tempo?

  • Navegar mar afora ou o afago de um abraço?

Não se trata de olhar somente sob a ótica binária, mas de filtrar até chegarmos ao cerne da questão. Cada pergunta me leva ao mesmo caminho: sempre abrimos mão de algo em prol de outra coisa. A questão é: onde estamos alocando a nossa energia, e por quê? Qual lobo estamos alimentando todos os dias?

Nosso cérebro tende a repetir a maioria das conexões neurais do dia anterior, gerando cenários hipotéticos repetidos e, muitas vezes, negativos. Alimentar o lobo errado é flertar com o fracasso. Se você pensa que não irá conseguir e reforça esse comando, você já decretou a sua sentença.

A ideia aqui, então, não é ir contra a maré ou se evadir; é questionar. Por um momento, colocar-se em terceira pessoa, observar os pensamentos e se perguntar: O que isso está querendo me dizer? Eu realmente sou o que penso ou apenas estou me sentindo desta forma?

Vincular um pensamento negativo à sua identidade poderá distorcer a realidade, distanciar você de si mesmo, enjaulá-lo e torná-lo seu próprio carrasco, refém dos próprios pensamentos.

Tudo nasce no abstrato, no campo invisível. Pense no Jardim do Éden: em perfeita harmonia com o Criador, onde tudo é, tudo flui de forma perfeita e agradável. Veja-o como um estado mental, e não físico.

Ter essa imagem em mente nos comunica um bom plantio. O cuidado, a energia, a frequência. Assim devem ser os nossos pensamentos. Os nossos resultados são apenas o reflexo do que cultivamos dentro de nós. Eles indicam a direção do nosso barco.

Cuide dos seus pensamentos. Plante-os em um bom lugar e receberá de volta uma boa colheita.


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